O texto de hoje é direcionado para todos os presentes e futuros calculistas que dividem aquela dúvida tão comum: faço dos cálculos de processos trabalhistas a minha profissão principal ou apenas utilizo esse meio como renda extra?
Embora os valores ganhos por calculistas (assistentes técnicos a peritos calculistas especialistas em verbas trabalhistas) possam variar entre R$300,00 e R$3.000,00 (ou mais) por cálculo executado, a profissão em questão ainda se encontra escassa no mercado de processos trabalhistas.
Isso ocorre, muitas vezes, pela falta de insegurança, que pode ser até mesmo consequência da falta de informação.
Muitos veem a carreira de calculista como um complemento de renda, ou seja, algo para fazer no tempo livre. E está tudo bem começar assim. Afinal, o início da minha carreira e de muitos alunos da Veritas Perícia começaram exatamente dessa maneira.
Mas, será que este método basta? Ou será que vale a pena transicionar de vez para a profissão de calculista? Se sim, teria alguma estratégia viável e conservadora para isso? E quais os ganhos você obtém tornando-se, exclusivamente, um profissional calculista?
É sobre isso que falaremos neste texto. Quero dividir com vocês a minha experiência e responder com sinceridade e profundidade, essa pergunta que pode mudar sua vida: Calculista — profissão ou complemento de renda?
Conheça a rotina de um calculista de processos trabalhistas
A atuação do calculista vai além da tão conhecida fase de liquidação de um processo, que é o momento em que o juiz determina, através do perito judicial calculista, a conversão das decisões judiciais em valores numéricos e o trabalhador recebe os seus direitos.
O trabalho do calculista começa bem antes disso e pode se estender até muito depois.
A petição inicial, por exemplo, é o primeiro passo do processo trabalhista, e é quando o advogado precisa do apoio do assistente técnico para apresentar os valores que o trabalhador precisa receber.
A defesa é o segundo passo do processo trabalhista e essa fase também requer um outro assistente técnico para provar, por meio de cálculos, que a empresa pagou corretamente os valores devidos ao trabalhador.
Na fase de liquidação da sentença, por sua vez, temos a atuação conjunta dos assistentes técnicos das partes — apresentam seus respectivos cálculos segundo as decisões judiciais tomadas ao longo do processo e podem impugnar o cálculo do perito — e do perito calculista especialista em verbas trabalhistas, nomeado pelo juiz, que vai realizar a conversão das decisões judiciais em números (valores), de forma imparcial.
Neste contexto, vê-se que a atuação do assistente técnico é quatro vezes maior que a do perito em cálculos trabalhistas.
Além disso, é importante frisar que, diferente do perito judicial, que muitas vezes depende de liberação judicial (que pode demorar de 30 dias a 6 meses), o assistente técnico acerta diretamente com o cliente os seus honorários, podendo variar entre R$300,00 e R$1.500,00 por cálculo — e até mais, quando se atua por percentual do valor obtido no processo.
Com essas informações, temos alguns prós e contras que serão considerados mais adiante neste texto, quando for o momento de trazer pontos relacionados à viabilidade da carreira como calculista.
O fim de ano é o melhor momento para ingressar na área
Aqui vai uma dica preciosa para aquelas pessoas que desejam exercer a função de calculista e não sabem qual o melhor momento.
Poucas pessoas sabem que antes do recesso forense (20 de dezembro a 20 de janeiro), ocorre o que chamamos de “correição”, que é uma espécie de auditoria interna que impede que processos fiquem parados.
Assim, os juízes devem acelerar a tramitação de ações paradas, o que requer nomeação de peritos de forma intensa. Acredite: é possível receber 5, 10 ou até 20 nomeações em um único dia e feitas pela mesma Vara do Trabalho.
É claro, os prazos são coerentes com a demanda, podendo variar de 3 a 6 meses e com os mesmos honorários pagos normalmente, que vão de R$1.500,00 a R$3.000,00.
Em segundo, considere-se apto a exercer a função de calculista, seja como recurso financeiro complementar ou não, quando você estiver seguro sobre as suas responsabilidades e os possíveis desafios que possam aparecer nos cálculos trabalhistas.
Outras formas de atuação que vão além do Judiciário
Além da insegurança quanto ao momento correto para dar o primeiro passo como calculista, muitas pessoas também sentem dúvidas a respeito da renda obtida ao exercer a função.
Afinal, será que vale a pena se esforçar tanto para restringir-se ao nicho judiciário?
E aqui vai a resposta: ser calculista não é sinônimo exclusivo de ser perito judicial ou assistente técnico em processos individuais.
Existem outros caminhos, muitas vezes mais estáveis, que também demandam esse tipo de conhecimento técnico e que, com certeza, vão fazer agregar à sua bagagem profissional. Veja alguns:
- Cálculos para prefeituras: Muitas ações trabalhistas são movidas contra o poder público e as prefeituras precisam de profissionais que façam os cálculos de seus servidores e dos trabalhadores celetistas. Haja vista o cargo não é efetivo, você pode atuar de forma autônoma, com pagamentos por cálculo realizado. A média vai de R$600,00 a R$1.500,00 por cálculo;
- Sindicatos: Em ações coletivas movidas por sindicatos, você pode realizar cálculos iguais para dezenas ou centenas de trabalhadores. Nesses casos, o pagamento é feito por trabalhador representado — entre R$200,00 a R$800,00 cada;
- Procuradorias públicas: Existem também seleções para atuar como calculista em órgãos como a Procuradoria Geral do Estado ou o Ministério Público do Trabalho. A remuneração varia, e os contratos duram em média 1 ou 2 anos, com possibilidade de renovação.
Veja que há vantagens significativas ao considerar que uma grande quantidade de cálculos com objetos semelhantes serão realizados para ações trabalhistas de servidores públicos e ações movidas por sindicatos. Isso potencializa e muito seus ganhos e a sua experiência na área.
Quem pode ser calculista?
Está bem. Você se interessou pelo assunto e, além da renda ou estabilidade financeira nessa carreira, você quer saber sobre quem pode ser calculista.
Resumidamente, se você se interessou pela carreira de assistente técnico, saiba que não há obrigatoriedade de formação superior.
A única exigência é dominar a parte técnica — ou seja, entender de cálculos trabalhistas, verbas rescisórias, adicionais, horas extras, metodologia de cálculo, uso de ferramentas como o PJe-Calc e, claro, ter familiaridade com o direito do trabalho e o processo trabalhista.
Já para atuar como perito judicial, é necessário cumprir não só os requisitos técnicos mencionados acima, mas também é exigida formação superior e estar inscrito no conselho de classe de sua formação.
Além disso, os profissionais mais nomeados são contadores, administradores, economistas e tecnólogos em áreas como RH ou finanças, podendo também ter engenheiros e matemáticos, mas sendo essas formações as exceções na área.
Como se destacar na área
Pessoal, não há segredo. Assim como em qualquer outra área, a capacitação contínua é requisito para uma carreira de sucesso como calculista.
Então, não foque em dominar o PJe-Calc, porque no final das contas, é uma ferramenta comum aos outros calculistas. Domine interpretação da sentença, metodologias de cálculo, criação de impugnações, estruturação de laudos periciais e estratégias jurídicas básicas.
Desta maneira, mesmo sem experiência formal, você se destaca no seu primeiro exercício da função — lembre-se que a primeira impressão é a que fica.
Além disso, monte um portfólio de serviços fictícios, com cálculos realizados com base em casos simulados, pareceres, laudos e análises técnicas. Apresente isso em visitas a advogados ou em propostas enviadas por e-mail e redes sociais.
Calculista: uma profissão rentável e possível
Eu sempre deixo claro para os meus alunos que a melhor forma de ingressar na profissão de calculista, é pela função de assistente técnico. Mas, não interprete essa dica como um caminho “mais fácil”, porque não é. Mas, como vimos, é um meio que oferece recebimento imediato.
Além disso, a nomeação do perito judicial em cálculos trabalhistas exige experiência, e nada mais fácil do que demonstrar adquirir experiência — demonstrando a qualidade do seu trabalho — do que como assistente técnico.
Com isso, você tem a opção de iniciar a jornada como calculista através da renda extra da assistência técnica, até que essa se torne a sua principal fonte de sustento.
E acaba sendo compreensível, não? Se você fizer 20 cálculos por semana (chutando super baixo), recebendo R$300,00 por cálculo feito, você provavelmente receberá mais do que como CLT ao final do mês.
Além disso, tenho alunos que faturam mais de R$30 mil por mês apenas com assistência técnica, e outros que construíram escritórios especializados com faturamento de mais de um milhão de reais por ano.
No meu caso, eu decidi guardar, como reserva de emergência, um valor que fosse equivalente a 6 meses de gastos. Assim, larguei o meu antigo emprego e me dediquei à minha carreira de calculista, certa de que com o meu esforço, o sucesso seria certo.
Hoje, eu posso trabalhar de home office, estando disponível para o meu filho, com estabilidade financeira e sem me esquecer de que a intensidade distorce o tempo. Ou seja: quanto mais intenso for o seu comprometimento com o aprendizado e a prática, mais cedo o sucesso virá.


