Como lidar com o medo da nomeação

Medo da nomeação: como vencer a insegurança e começar sua jornada como perito

Alunos e recém chegados do Instituto Veritas Perícia: trago um assunto bem importante e que não é tratado como deveria pelos profissionais peritos judiciais em cálculos trabalhistas, mas que ganha destaque na nossa comunidade devido à transparência e abertura que dou aos meus alunos: o medo nas nomeações.

Muitos alunos vivem esse sentimento, sejam os que estão em preparação profissional ou que já atuam na área como calculistas. Além disso, frequentemente me questionam sobre meus sentimentos, em especial, no início da minha carreira, talvez para se identificarem comparando-me às suas condições atuais.

E eu deixo aqui o meu relato: saibam que aquele frio na barriga combinado a ansiedade, dúvida e até um certo medo na primeira (e até décima) nomeação é mais comum do que parece. Eu já me senti assim, mas meu receio sempre foi utilizado como combustível para entregar um serviço de qualidade.

Por isso, eu decidi fazer este texto para compartilhar com vocês algumas reflexões sobre isso. Como interpretar o medo e transformar a insegurança em uma atuação mais firme e consciente? Como lidar com a possibilidade do erro?

Acompanhem-me nesta leitura em que eu exploro a minha perspectiva sobre o medo da nomeação e como esse sentimento deve ser utilizado a seu favor.

Entenda o medo e as vantagens por trás desse sentimento

Antes de mais nada, preciso que você entenda que o medo da nomeação não é um defeito. Posso afirmar, inclusive, que esse sentimento não tem a ver com o fato de você estar pronto ou não para ser um perito judicial em cálculos trabalhistas.

Em outras palavras, não associe aquele frio na barriga ou até mesmo aquela tremulação do corpo com algum possível sinal de que você não serve para isso.

Neste momento, precisamos ser lúcidos e entender que o medo é, na verdade, uma resposta natural do corpo e da mente diante de algo novo. Nós tememos o novo, pois não o conhecemos!

E eu sei que o peso de ser nomeada como perita judicial em cálculos trabalhistas é grande. Afinal, devemos assumir um papel técnico central em um processo, lidar com expectativas de várias partes — juiz, advogados, partes envolvidas —, e tomar decisões que exigem segurança.

Mas, você sabe qual é a verdade por trás do medo?

A verdade é que o medo acompanha desafios em que os resultados são importantes para você. O medo não aparece em quem é displicente; ele aparece em quem quer fazer bem feito.

Adotar essa perspectiva é um bom ponto de partida para que você, ao invés de lutar contra, possa acolhê-lo.

Além disso, reconhecer que o medo faz parte da construção da sua identidade como perito é uma oportunidade para você redobrar a sua atenção em suas atividades: laudos, respostas de esclarecimentos, entre outros exercícios que, se bem feitos, não vão só alavancar a sua carreira profissional, mas também garantirão confiança.

Crie rotinas de segurança técnica

Convenhamos: um dos melhores antídotos contra o medo é a preparação. Você já deve ter passado por isso, seja nas provas do ensino médio, na faculdade, no trabalho ou em outros desafios que a vida nos propõe.

Basicamente, quando você constroi rotinas que te dão segurança técnica, o medo deixa de ser um bicho-papão e passa a ser um alerta saudável — que você sabe exatamente como lidar.

E bem contrário do que as pessoas pensam, essas rotinas não precisam ser complicadas. Comece pelo mais simples e mais importante: estudando e revisando os conteúdos do Instituto Veritas Perícia.

O próximo passo após sentir-se preparado, é utilizar ferramentas e comportamentos a seu favor. Vejamos alguns:

  1. Checklists simples para verificar prazos podem manter a sua rotina organizada;
  2. Buscar oportunidades de nomeação já atuando como assistente técnico pode — e muito — colaborar com a sua confiança técnica na área. Essa profissão, além de alimentar o seu portfólio de experiência, vai te render grandes experiências e inseri-lo a um ambiente o qual você vai se habituar até perder o medo;
  3. Manter-se ativo nos estudos é primordial. Não espere que a nomeação apareça para você aprender sobre jurisprudência, interpretar sentenças e realizar as metodologias de cálculos corretas. Na maioria das vezes, o medo da nomeação vem mais da insegurança de um assunto específico do que com a função em si;
  4. Melhore o seu laudo técnico pericial — para os que já atuam como perito judicial em cálculos trabalhistas. Seja diferenciado. Desenvolva sua metodologia, clareza, explicação e apresentação dos resultados. O juíz preza por textos objetivos, mas acima de tudo, que expressam clareza e coesão;
  5. Atualize o seu modelo de laudo pericial. Embora ofereçamos templates deste documento na plataforma, é importante que você o faça segundo a sua identidade e saiba atualizá-lo conforme as particularidades das diferentes sentenças que possam surgir;
  6. Leia fundamentação de sentenças e os cálculos, realize os cálculos conforme o que foi deferido e compare-os com os meus resultados apresentados em aula, nos materiais da plataforma.

A figura do juiz desmistificada

Como se sabe, o perito judicial em cálculos trabalhistas é o profissional que traduz as decisões do juiz em números. 

E muitas vezes, o medo da nomeação vem exatamente pelo receio que temos em passar uma má impressão para aquele que nos nomeou.

No entanto, a figura do juiz precisa ser desmistificada. O juiz é, antes de tudo, alguém que precisa do seu trabalho para formar convicção sobre uma matéria que exige conhecimento técnico. Além disso, ele não espera nada além de coerência, clareza e responsabilidade nos laudos periciais.

E se eu errar?

Neste momento, vem a pergunta: “Mas, Fer, e se eu errar?”

Pessoal, o erro é uma possibilidade que não queremos, em nenhuma hipótese. Por isso, eu peço para os meus alunos para se atentarem às atividades e às aulas.

Precisamos nos comprometer como nunca para transformar os diferentes direitos deferidos na sentença, em números, por meio de metodologias corretas.

Mas, caso o seu cálculo seja impugnado pelas partes e você reconheça que há um índice, resultado ou interpretação mal aplicados, assuma o erro e retifique o seu cálculo. Simples assim. Siga em frente, estude mais para não cometer o erro novamente.

E, pessoal, não espere que seu cálculo não seja impugnado com uma boa fundamentação pelos assistentes técnicos.

Muitas pessoas duvidam da capacidade desses profissionais, mas costumo dizer que eles seguem uma carreira até mais difícil do que a do perito calculista, uma vez que este deve agir “apenas” conforme as decisões da sentença e aquele deve utilizar legalmente das oportunidades que a sentença permite para extrair o melhor para as partes.

Valorizar cada nomeação como oportunidade de crescimento

Em vez de ver a nomeação como uma prova que você precisa “passar”, tente encará-la como um espaço real de desenvolvimento profissional.

A frase “mar calmo não faz bom marinheiro” reflete que as adversidades do processo trazem consigo um contexto diferente, um desafio novo, um aprendizado — e isso é riquíssimo.

Então, mesmo que você já tenha estudado determinado tipo de cálculo antes, visto as minhas aulas e praticado, a vida real é diferente. É com os autos ali na sua frente, com os prazos apertados e os quesitos um pouco confusos, que você começa a amadurecer de verdade. 

Conclusão 

Pessoal, nota-se que eu me preocupei mais em oferecer condições de contorno para o medo do que formas de interpretá-lo. Acho que esse é o caminho.

Se o medo se faz presente, utilize-o se preparando tanto a ponto desse sentimento se tornar uma leve e saudável ansiedade que visualiza, sobretudo, o término do processo trabalhista em que o seu melhor foi entregue e tudo ocorreu bem.

Valorize cada nomeação para valorizar a trajetória que você está construindo.