Se você acessou este texto sem pestanejar, é porque em algum momento você teve aquele pensamento “Será que eu posso trabalhar com cálculos trabalhistas? E se sim, é possível me tornar um perito(a) calculista em processos trabalhistas?”.
Essas dúvidas são bem comuns. Afinal, a carreira de perito chama atenção e não é por acaso: a responsabilidade técnica, o reconhecimento profissional e a remuneração são atrativos para aqueles que buscam uma vida mais estável e financeiramente saudável.
Mas, será que você deve considerar apenas isso na hora de decidir qual caminho trilhar? E se, na verdade, o seu perfil está mais alinhado ao do assistente técnico do que ao do perito judicial em cálculos trabalhistas?
Esses pensamentos são tão válidos quanto essenciais. Por isso, eu decidi fazer este texto de forma diferente dos demais que abordam o viés “como se tornar um perito” como um passo a passo de aspecto “manual formal engessado”.
Neste texto, nós vamos ter um bate papo real, direto e objetivo.
Quero te mostrar o caminho para entrar nessa área com consciência, clareza e confiança, considerando os fatores que realmente fazem a diferença na prática.
Para isso, comprometo-me a trazer a bagagem de quem vive isso na pele há 10 anos.
Sem mais delongas, vamos ao assunto!
Entendendo as possibilidades: perito calculista ou assistente técnico?
Pessoal, eu sempre vejo meus alunos com uma dúvida pertinente acerca de qual carreira seguir nos cálculos trabalhistas. O título deste texto é “Como me tornar um perito” e, na minha opinião, ter certeza da carreira que você quer construir é o primeiro passo para exercer a sua profissão com garra e dedicação.
Então, se você faz parte dos alunos que se encantaram com os cálculos trabalhistas, mas não sabe se o seu perfil tende mais com a atuação como assistente técnico ou como perito calculista especialista em verbas trabalhistas, talvez a resposta esteja na vivência e na obtenção de informação sobre o assunto.
Claro, o caminho para perícia em cálculos trabalhistas costuma exigir mais etapas e preparos, enquanto um assistente técnico último exige somente experiência e alguns requisitos técnicos que vamos discutir logo logo, neste texto.
Para todo caso, é importante, antes, entender a diferença dessas duas profissões:
- O perito judicial em cálculos trabalhistas é o profissional nomeado pelo juiz para realizar cálculos do processo trabalhista, ou seja, é um profissional que, de forma imparcial, representa o olhar técnico do Judiciário em: rescisões de controle de trabalho, adicionais, diferenças salariais, outras verbas trabalhistas;
- Já o assistente técnico é o representante de uma das partes do processo, que pode ser a reclamada (empresa) ou reclamante (um ex funcionário, por exemplo) e pode calcular os devidos direitos das partes, elaborar parecer técnico, realizar mediação técnica trabalhista, fazer consultoria preventiva e, também, contestar o laudo pericial apresentado pelo perito judicial.
Acredite: ambas as profissões são incríveis e muito valorizadas. Muitas pessoas acham que os assistentes técnicos são mal pagos, mas a verdade é que onde há experiência e dedicação, o dinheiro também está.
Além disso, a maioria dos meus alunos começam pela carreira de assistente técnico e se preparam através dos conteúdos da Veritas Perícia para se tornarem peritos judiciais.
Preciso ser contador para ser um perito em cálculos trabalhistas? E se a minha formação for diferente?
Essa é, disparada, a pergunta do milhão. A resposta, é: não precisa ser contador, embora essa formação seja bastante comum na área.
Outros profissionais como administradores, economistas e advogados, estão presentes “em peso” na área de perito calculista especialista em verbas trabalhistas.
Outra pergunta pertinente: Matemáticos, engenheiros e outras profissões relacionadas também podem se tornar peritos em cálculos trabalhistas?
Sim, também podem. No entanto, a presença desses profissionais na área é exceção. Então, saiba que se você é um matemático, engenheiro ou outra profissão que, embora tenha facilidade de interpretar números e realizar cálculos, há grandes chances de você não ser nomeado como perito. Já como assistente técnico, não há requisitos, nem mesmo um curso superior.
Ah, e não menos importante, tenha atenção: para ser perito, você precisa estar registrado no seu conselho de classe (CRC, CRA, CORECON, OAB etc.), e também ter inscrição municipal para emitir nota fiscal dos seus honorários.
Burocracias e prática: o que é preciso para atuar como perito judicial em cálculos trabalhistas
“Fer, além de aprender tudo o que você foi passado acima, o que mais eu preciso para atuar como perito em cálculos trabalhistas?”
A partir desta pergunta, vamos aos pontos práticos:
- Cadastro no SIGEO (Sistema de Gestão de Peritos da Justiça do Trabalho): é o banco de dados onde os juízes buscam profissionais para nomear.
- Certificado digital (tipo e-CPF A1 ou A3): essencial para acessar o PJe (sistema onde rolam os processos trabalhistas).
- Fazer login nos sistemas dos TRTs onde deseja atuar: isso libera seu perfil para as nomeações.
- Apresentar-se às Varas do Trabalho: sim, você pode (e deve!) se apresentar, enviar e-mails (na minha opinião, é imprescindível), fazer visitas e mostrar que está disponível.
Na Veritas, eu ensino passo a passo como organizar tudo isso, desde a parte prática até os bastidores que não te contam por aí.
Preciso dominar o direito do trabalho?
A ideia “sou bom com números, então serei um bom calculista” está parcialmente correta, mas não é suficiente. O perito judicial em cálculos trabalhistas deve, além de realizar cálculos, entender o direito material e direito trabalhista para interpretar a sentença e entender a linguagem e conceitos do judiciário, que não são nada óbvios.
Desta forma, embora precise decorar todos os artigos relacionados à área para ser perito calculista, você precisa entender o juridiquês.
Como funciona a nomeação? Devo esperar ou ir atrás?
Muitos acham que, depois de realizar o cadastro no SIGEO, basta sentar e esperar o juiz te nomear. Mas… não é assim que funciona.
Para primeira nomeação, eu reforço algo que menciono com frequência aqui no Veritas: visite as varas trabalhistas, faça um portfólio de apresentação que mostre a sua experiência na área (como assistente técnico, por exemplo), envie e-mails (mesmo visitando as Varas Trabalhistas)… Faça tudo que for possível para te tornar visível e confiável.
Quanto tempo leva para começar a atuar?
Alunos, afirmo para vocês que falta de demanda não existe nesse mercado. Anualmente, são registrados cerca de 2,8 milhões de novos processos trabalhistas. Isso é muita coisa!
Então, quando o assunto é o tempo que leva para começar a atuar na área, deve-se considerar três fatores principais:
- Sua disponibilidade para divulgar seu nome;
- A região em que você está (algumas têm mais demanda);
- O seu nível técnico — porque quando chega a chance, você precisa estar pronto(a)!
Para você ter ideia: já vi pessoas que levaram 6 meses pra receber a primeira nomeação e outras que levaram menos de um mês. Por isso, foco no que você pode controlar agora: conhecimento, visibilidade e postura profissional.
Vale a pena? (minha visão após 10 anos na área)
A gratificação de atuar como perito judicial em cálculos trabalhistas vêm de diversas formas, mas o reconhecimento de um bom trabalho é a melhor delas. O dinheiro é importante? Sim, claro que é, mas essa gratificação sempre vai ser o fruto de um trabalho bem feito.
Portanto, a profissão de perito calculista vale a pena para aqueles que levam a profissão a sério. Muitos peritos em cálculos trabalhistas recebem nomeações e entregam somente o básico no laudo e, em consequência, acabam se contentando com salários de R$5.000,00 por mês.
Acreditem, esse valor é pouco perto do serviço que um perito de excelência pode prestar, porque um perito calculista especialista em verbas trabalhistas pode receber de R$1.500,00 a R$3.000,00 por cálculo realizado.
Por fim: eu, Fernanda, não posso voltar no tempo e corrigir aqueles erros que cometi inicialmente e que caso eu não os tivesse feito, teria me impulsionado a um nível superior em menor tempo.
No entanto, eu venho utilizando da minha experiência para preparar essas aulas e fazer com que vocês não demorem o quanto eu demorei para se tornarem um profissional de referência em cálculos de perícia trabalhista.
Por fim, se você sente um propósito em atuar como perito judicial em cálculos trabalhistas, não perca mais tempo e consuma os conteúdos disponíveis na plataforma, se lembrando que: você não precisa saber tudo pra começar. Mas precisa começar pra um dia saber tudo.


